As primeiras férias do bebé

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Na véspera de ir de férias, talvez tenhamos idealizado dias de praia em que o bebé vai experimentar molhar os pezinhos no mar pela primeira vez, ou que irá dormir pacificamente a sesta enquanto lemos um livro, ou que “a praia o irá cansar” e que por isso “dormirá melhor”.

Talvez, ainda, nos tenham contado verdadeiras “histórias de terror” em que férias com crianças significam que “não se descansa nada” ou que é fundamental “manter as rotinas” para que o comportamento do bebé seja o mais previsível possível e as férias “corram bem”.

Com mais ou menos preocupações ou expectativas, ao entrar no carro, estamos a partir para um novo, surpreendente e maravilhoso destino de férias.

Esse destino é o nosso bebé.

A primeira coisa a saber é que provavelmente será necessário alterarmos o nosso conceito de “descanso”. Uma das coisas maravilhosas dos bebés é que nos fazem desafiar conceitos que antes achávamos serem imutáveis.

As férias como antes as conhecíamos de dias inteiros na praia, poder dormir até tarde, bom, tudo isso não é, na maioria dos casos, naturalmente compatível com um bebé pequeno.

Mas se abraçarmos com mente aberta esta viagem, vamos descobrir que é possível descansar até mais com um bebé, do que antes de nos tornarmos pais. Descanso não é só repouso, é libertação de endorfinas, de hormonas de prazer, é quebrar com actos mecânicos e preocupações rotineiras. E não há nada mais anti-stress do que andar ao ritmo simples de um bebé, redescobrindo os pequenos prazeres de uma sesta a três a meio da tarde, de passar momentos ocupados com coisas simples, como rir juntos ou fazer um castelo na areia.

Talvez não consigamos reproduzir todos os momentos de sonho que idealizámos. Talvez o bebé estranhe a cama ou fique deslumbrado com a novidade e à noite queira um pouco mais de convívio com os pais. Talvez o bebé tenha medo das ondas e não queira molhar os pezinhos. Ou chore na praia e seja preciso vir embora.

Há que dar-lhe tempo. Há que dar-nos tempo.

Tempo é o item principal que devíamos levar na mala para as férias.
Andar ao ritmo do bebé, olhar para os seus sinais e não para o relógio, compreender que é provável que possa demonstrar algum desconforto ou cansaço e que nesse caso talvez valha a pena ajustar o plano dos adultos ao bebé, e não ao contrário.

O nosso bebé não sabe ver as horas, não sabe os planos nem as expectativas que trazíamos, mas é incrivelmente simples e generoso nas suas necessidades. Não é preciso levar os brinquedos e a casa toda atrás, não é preciso viajar para locais paradisíacos, não é preciso que tudo seja perfeito.

Para o bebé a perfeição tem outros critérios.

A mãe e o pai por perto, beijos e abraços e colo sem restrições, as nossas borboletas na barriga quando o ouvimos dobrar o riso pela primeira vez, um carreirinho de formigas a entrar num buraquinho na parede, uma manta na relva para observar as folhas das copas das árvores a ondular, os dias que fluem e são simples.
Como a vida devia ser.

E, mesmo quando algo não corre como idealizámos… o tempo que passámos juntos.

Essas são as recordações que vão ficar:
As das melhores férias de sempre

Boas férias!

por Constança Ferreira – Terapeuta de Bebés

Terapeuta de Bebés, Conselheira de Aleitamento Materno OMS/Unicef, Doula, Instrutora de Massagem do Bebé