“OS BEBÉS GUARDAM O SEGREDO DO INÍCIO DE TUDO”, PÚBLICO

“O Livro de Magia das Mães” é um prolongamento do anterior livro da terapeuta de “Os Bebés Também Querem Dormir”.

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Cuidar de um bebé requer cuidado próprio. Ser mãe é um ciclo, uma cadeia de cuidados e de relações recíprocas entre a mãe e o bebé. Não é uma tarefa, porque sendo-o perderia toda a espontaneidade. “A maternidade é aquilo que muda o mundo” e quem nos diz isso é Constança Cordeiro Ferreira no livro mágico para as mães.

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Depois do sucesso que foi o primeiro livro da autora “Os bebés também querem dormir”, Constança Cordeiro Ferreira, fundadora e terapeuta do Centro do Bebé e conselheira de aleitamento da Organização Mundial de Saúde, quis dar-lhe uma continuidade focando-se, desta vez, na figura da mãe com O Livro de Magia das Mães.

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A estratégia de equilíbrio que a terapeuta operacionalizou para os dois livros passou por abordar tanto o bebé como a mãe, tendo a conta a relação entre ambos, tornando as duas obras indissociáveis uma da outra.

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A quantidade “exacerbada” de informação errada a circular em livros e na Internet sobre bebés e respectivos cuidados esteve na base de Os bebés também querem dormir. Contudo, as mães são quem torna tudo isso possível.

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“Debrucei-me sobre a história da maternidade, porque é uma história de feitos enormes enquanto espécie. Houve uma legião de fêmeas que souberam cuidar das crias em tempos”, conta Constança Cordeiro Ferreira ao Life&Style.

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“Este é um livro sobre mães e ser mãe é duro”, pelo menos é o que nos diz Constança Cordeiro Ferreira neste que é o mote de arranque do novo livro. O aviso está lançado, mas não é para desanimar. Pelo contrário, o livro procura trazer estratégias que sejam “amigas das mães”, no sentido de as libertar para que procurem melhores soluções para elas mesmas e para os seus bebés.

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A mensagem deste livro é uma nota encorajadora para as mulheres e que procura ir contra a corrente de ideias que se criaram de que a maternidade é “quase inibidora”, explica-nos a terapeuta de bebés. “Com este livro quero desbloquear a sensação de capacidade e de força, de coragem própria”, acrescenta.

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Há anos que Constança Cordeiro Ferreira trabalha com famílias, acompanha mãe e bebé em particular e interfere na dinâmica da relação, quando o dever assim o obriga. Mas o grande problema, na maior parte dos casos, assenta no facto de as mães acreditarem que existem verdades absolutas sobre bebés. Para a autora do livro as coisas não se processam assim.

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“Trabalho todos os dias com mães e elas procuram um manual de instruções para o bebé”, explica a terapeuta. Todavia, esse “manual” fala às mães de generalizações e não do caso em particular respeitante ao seu bebé, algo que as obriga a seguir um modelo que não se adequa à criança.

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O que “dizem os livros e a Internet” pode não resultar no caso de um bebé em específico e esse facto “aumenta a incapacidade que as mães sentem”, diz-nos a terapeuta.

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“O instinto das mães não é saber fazer tudo, pelo contrário – o instinto é aquela peça mágica que nos liga ao bebé, mas está por baixo de uma série de vozes que não são as nossas”, comenta Constança Cordeiro Ferreira relativamente às expectativas irrealistas com que muitas mães se deparam ao longo da gravidez e primeiros tempos de cuidados do bebé.

Esta necessidade quase urgente de as mães seguirem todos os passos que lêem ou fazerem tudo o que lhes dizem, em vez de olharem para o bebé como um ser individual e com características próprias leva a que se “perca a magia”.

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Perdemos completamente a magia da descoberta, a magia da entreajuda. Criar-se pensamentos intrincados de como devemos ser mães e como nos devemos comportar, conduz à perda de toda a espontaneidade. Perde-se, no fundo, toda essa aventura da maternidade que é mais do que um cumprir de tarefas”, afirma a fundadora do Centro do Bebé.

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A vivência enquanto seres humanos é uma vivência tradicionalmente comunitária e, a partir disto, a autora de O livro de magia das mães explica que não é suposto a mãe criar um bebé de forma isolada.

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“A mãe é o início e não o fim”, diz ao Life&Style de forma a destacar a importância das pessoas à volta da mãe e do bebé enquanto cuidadores de ambos. “Os cuidadores em volta, desde os avós às creches, devem estar organizados para amparar a tarefa de cuidar de um bebé pequeno, e nós estamos muito segmentados na criação”, comenta.

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Desmistificar a maternidade com a magia das mães

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“Podemos ser mães sem ter filhos. A energia maternal, a energia que cuida e a que protege é aquela que faz realmente avançar o mundo”, afirma Constança Cordeiro Ferreira. A autora diz que o livro procura recuperar o instinto protector que existe, mas que muitas vezes está escondido.

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A terapeuta continua a afirmar que a ideia de a maternidade ser uma tarefa continua muito presente nas sociedades de hoje, o que de certa forma pode tornar-se num aspecto opressivo das próprias mães. Por isso é que pôr as mães nas luzes da ribalta faz todo o sentido para a especialista porque para cuidarem do bebé têm que cuidar delas primeiro e durante todo o processo.

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Constança Cordeiro Ferreira explica que um dos maiores erros das mães é deixarem todas as suas necessidades para quando os bebés estão a dormir. “A vida é feita de ritmo e quando o ritmo é seguro e feito em liberdade, as coisas encaixam no sítio certo. Dorme-se, come-se, brinca-se…há um equilíbrio entre os dois”.

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Para Constança, o bebé é um ser quase “mágico”, “desconhecido” e “fascinante”. Enquanto escrevia o segundo livro, não deixou de investigar e de lidar com bebés todos os dias, pois segundo a terapeuta nunca se conhece inteiramente o ser humano.

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“Os bebés guardam o segredo do início de tudo e eu olho para os bebés com muito respeito, com muita curiosidade. Os bebés ensinam-me muito”, afirma ao Life&Style.

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E são estes ensinamentos que Constança Cordeiro Ferreira diz estar sempre a receber, porque as dúvidas fazem parte da caminhada da maternidade.

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“Acima de tudo tenho que confiar nas minhas capacidades para cuidar e para tomar o caminho que parecer melhor. Nós não somos pessoas sozinhas, somos sim pessoas num contexto a tomar uma decisão”, conclui Constança Cordeiro Ferreira.

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Notícia de Público Life&Style

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